Pensamento #40: Vícios são inerentes ao homen

Sêneca, Dos Benefícios, Livro I-X

“Nossos antepassados antes de nós lamentaram, e nossos filhos depois de nós lamentarão, como nós, a ruína, a moralidade, a prevalência do vício e a deterioração gradual da humanidade; mas essas coisas são realmente estacionárias, apenas se movem um pouco para lá e para cá como as ondas que ao mesmo tempo uma maré crescente lava mais sobre a terra. Em determinado momento, o principal vício será o adultério, e a licenciosidade excederá todos os limites; em outra ocasião, a fúria do banquete estará em voga, e os homens desperdiçarão sua herança da maneira mais vergonhosa de todos os modos, pelo estômago; em outro, cuidado excessivo com o corpo e uma devoção à beleza pessoal que implica feiúra da mente; em outro momento, a liberdade concedida sem controle se mostrará em imprudência e desafio injusto da autoridade; às vezes haverá um reino de crueldade tanto em público quanto em privado, e a loucura das guerras civis virá sobre nós, destruindo tudo que é sagrado e inviolável. Às vezes até embriaguez será realizada em honra, e será uma virtude engolir mais vinho.

Vícios não nos aguardam em um só lugar, mas pairam à nossa volta em formas mutáveis, às vezes até divergentes, de modo que, por sua vez, ganham e perdem terreno; todavia, sempre seremos obrigados a pronunciar o mesmo veredicto sobre nós mesmos, que somos e sempre fomos maus e, a contragosto, acrescento que sempre seremos. Sempre haverá homicídios, tiranos, ladrões, adúlteros, violadores, sacrílegos, traidores: pior do que tudo isso é o homem ingrato, a não ser que consideremos que todos esses crimes fluem da ingratidão, sem a qual dificilmente alguma grande iniqüidade chegou a plena estatura.”

(Imagem As três Graças por Antonio Canova)

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